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terça-feira, 7 de julho de 2015

DA SÉRIE: Redes Sociais - Hashtag somos todos Maju

Hashtag's tornaram-se para mim símbolo de pouca ou nenhuma reflexão. Engraçado que fui conferir a grafia para o # no Google e a segunda coisa mais procurada foi "hashtags mais usadas". Isso por si só já corrobora meu desconfiar...

Essa semana vi proliferar a marcação #somostodosMaju pelas redes sociais e como sempre me causou reflexão. A primeira foi em relação ao fato de que na mesma semana, duas notáveis mulheres foram vítimas de gente que não tem o mínimo de respeito por outrem. Refiro-me ao caso Dilma em adesivos com conteúdo sexual e desrespeitoso e ao caso de crime de racismo, cometido por inúmeros indivíduos, à jornalista Maria Júlia Coutinho. Tenho adotado como procedimento não proferir de modo citatório certas coisas, nem reproduzir algumas imagens para não proliferar tanta merda na rede. Lanço mão disso quando é absolutamente indispensável e por isso, não verás por aqui nem o adesivo nem as frases que atacaram Maju. 

Eis que nas reflexões me deparo com o pensamento: pena que a hashtag não vale para todos os indivíduos que sofrem com o crime de racismo ou afins. Vale para uns e outros. Foi preciso antes de  outros notáveis proferirem o #somostodosMaju para que muita gente entrasse em defesa da jornalista. E uma pena que a #somostodosMaju não se estende a #somostodosjoaquim, #somostodosmaria... Infelizmente os anônimos que sofrem com o crime de racismo não recebem apoio de tanta gente e tampouco afloram o sentimento de igual a ponto de fazer com que coletivamente, todos nos sintamos alguém. 

Outra reflexão que me veio foi a questão "Somos todos Maju quem?" Quantos de nós, usamos a hashtag e à primeira oportunidade criticamos o amigo negro por estar com o cabelo grande ou indicamos a amiga negra a fazer um relaxamento ou chapinha? Quantos de nós que usamos a hashtag e negamos a todo instante a nossa ancestralidade afro e ao menor sinal, alisamos o cabelo? Quantos de nós que usamos a hashtag somos mesmo Maju's? Quantos de nós que usamos a hashtag fazemos piada racista e odiamos políticas públicas que busquem amenizar as mazelas que a população negra vive? Quantos de nós que usamos a hashtag achamos a Gloria Maria feia e a Camila Pitanga uma negra linda, porque tem traços finos? 
Gente, pensa... 

Para reiterar o argumento de que a mim o símbolo # significa pouca ou nenhuma reflexão lembro a lastimável #somostodosmacacos ... vou nem me alongar nisso. 

Não bastasse o fato de algumas pessoas dar início ao espetáculo racista contra Maju, logo depois surgiram histórias que a meu ver foram meras tentativas de abafar o caso e trazer à tona coisas que pouca gente anda refletindo também e a criação de outras hashtags que associavam ao marido de Maju à corrupção e claro, ao PT, único partido político corrupto desse planeta. Com toda carga de ironia que conseguirem ler para o que está em itálico, tá!? E aí, claro, trazendo as especulações com o tema PT e corrupção, muita gente conseguiu esquecer a temática RACISMO que aconteceu com todas as evidências na busca por arrefecer um crime claro e de fácil investigação. A má fé fez até com que muitas pessoas tivessem lapsos de leitura e não conseguissem diferenciar as nomenclaturas PEPPER e PEPPR e no meio disso tudo, o que deu início à hashtag, caiu no esquecimento e continuaremos a presenciar crimes de racismo a anônimos e famosos, tendo em vista que estes, quando se cria qualquer outra hashtag são esquecidos.

Um adendo: a hashtag É pela Dignidade Feminina em repúdio aos adesivos grotescos montados com Dilma sendo penetrada por bombas de gasolina não tornou-se viral. Mais uma vez, corrobora meu argumento de que hashtag's simbolizam a mim pouca ou nenhuma reflexão. Quando não faço adesão a um #ÉpelaDignidadeFeminina lançado por uma petista, parece-me que o fato de ser algo que desrespeita uma presidente, que desrespeita uma MULHER, que corrobora com a visão que coisifica ainda mais a mulher como mero divertimento sexual, não importa. Parece que vai ser algo ao que terei de responder, pois estaria defendendo uma presidente, algo que não poderia nunca fazer já que a hashtag de ontem dizia foradilma e a chamava de piranha. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

DA SÉRIE REDES SOCIAIS: Zeca Camargo

Nas últimas duas semanas as redes sociais bombaram com três assuntos que me deixaram inquieta por conta de meus pensamentos acerca das coisas e da forma como aligeiramos assuntos delicados e saímos com conclusões muitas vezes, alheias.

Pontuarei sequencialmente as três tematizando: Zeca Camargo; Somos todos Maju; Turma do PRONERA - UFPR e a abertura de vagas para assentados do MST e quilombolas. Pronto, quem não tiver interesse, já disse as temáticas e podem ir.

A ideia era fazer um único post, mas agora pesquisando pra fazer mudei de ideia e serão os três temas distintamente postados.

Inicio a série respondendo a pergunta que encheu o saco na semana passada no formato mais chato ainda #quemezecacamargo
Certamente as pessoas não querem saber... mas achei válido.

Quem é Zeca Camargo?
Os comentários que despertaram raiva em muita gente fez com que inclusive eu demorasse um pouco para encontrar resposta à pergunta, tendo em vista que tudo que aparecia no Google era referente ao que muita gente achou polêmico e que virou motivo de desrespeito ao cara. (Ok, se acham que ele desrespeitou Cristiano Araújo, foi também desrespeitado e muito com a enxurrada de ofensas a ele proferidas em nome de respeito a outro... fico por entender).

Respondendo a pergunta: José Carlos Brito de Ávila Camargo é um mineiro de Uberaba-MG, nascido em 08 de abril de 1963. Formou-se em Administração pela FGV e em Publicidade e Propaganda pela ESPM, trabalhou em galeria de Artes Plásticas e foi professor de dança, tendo alguns atores famosos como alunos. Começou no jornalismo em 1987 e depois trabalhou em editoriais em Nova York, onde consta ter feito sua primeira grande reportagem, tendo Cazuza como entrevistado . Segundo a biografia, Zeca foi o primeiro jornalista a quem Cazuza revelou estar com AIDS (um ano depois de Araújo nascer). Entrou na Globo em 1996 e fez inúmeras reportagens. Esteve frente a frente com Paul McCartney, Mick Jagger, Madonna, Lady Gaga... 
Mais informações podem ser obtidas no link http://www.purepeople.com.br/famosos/zeca-camargo_p3086 não as trarei pelo fato de o que me interessa estar compilado por mim nestas informações.

Deixemos a raiva, o momento de angústia massificada pela morte de Cristiano Araújo e pensemos... Quem é Zeca Camargo. Cara, não é um zé ninguém. Não estou dizendo que o cantor o fosse tá?! Não me odeiem. O fato é que um cara que tem no currículo entrevistas com grandes (gigantes) ícones da música nacional e internacional tem todo direito de achar estranho um 'pouco conhecido' causar tanta comoção. E por acaso, isso não é de fato estranho? 

Particularmente, acho bonito nos solidarizarmos com sentimentos das pessoas, sentirmos dor pela morte das pessoas. Sinto muito e fico grilada é que essa comoção coletiva se aplica apenas há algumas pessoas e, geralmente, ligadas à mídia. Anônimos muitas vezes são até execrados quando morrem em acidente causado por alta velocidade. Lamento todas as vezes. E outro detalhe, sabemos bem que é fato muita gente virar fã depois que alguém morre como meio de identificar-se a algum grupo.

Particularmente, EU NÃO SEI QUEM É CRISTIANO ARAÚJO. Digo, não sei. Pois saber de alguém pelo simples fato de que muita gente admira e gosta mas que não consigo identificar em meio a tantos outros, a meu ver é não saber. Sei de uma música que creio que era dele porque tinha o nome envolvido em meio ao refrão. De outras, pode ser que tenha ouvido, mas não sei dizer tampouco distinguir e isso não apaga a minha história de vida, ou pelo menos, não deveria. Numa conversa em casa, comentamos sobre e os cinco presentes não o conheciam... Então, a nós, ele é um desconhecido, no máximo alguém de quem já ouvimos falar. Foi inclusive lembrado por um dos presentes na conversa, que soube da existência de mais esse cantor do sertanejo quando o cara esteve envolvido com reclamações por som alto e perturbação da ordem no condomínio onde morava... Enfim, não conhecíamos Cristiano Araújo por sua música.
É disso que Zeca Camargo estava falando e representou em pontos pelo menos muita gente que não conhecia Cristiano Araújo.

Particularmente não ouço sertanejo por vontade própria. Tolero quando vou em locais que está tocando me esforço para ignorar o que meus ouvidos captam. Não gosto e não me agrada. E digo, me agradou muito a fala de Zeca Camargo quando disse algo parecido com as pessoas gostarem de cantores de uma música só... Ok! Crucifiquem-me. Mas pelo que compreendo, Zeca me contemplou neste ponto e fiquei surpresa de esta fala ter aparecido na mídia. 

Afinal não é mesmo uma música só?? Analisem comigo: quais são as temáticas das músicas do sertanejo? Quais são os instrumentos usados? quais são os arranjos que aparecem? quais são as notas e acordes presentes? 
Tá podem dizer que eu não escuto e não posso falar nada. Não escuto em casa, os locais onde frequento muitas vezes tocam... Mas pelo simples fato de não conseguir distinguir um cantor ou dupla destas quando ouço, me mostra que são similares, muito parecidas e quicá, iguais.

E aí, lembro-me de Theodor Adorno e do fenômeno que ele descreve como estandardização. Adorno ao discutir a o gosto musical analisa que este está intimamente ligado ao que é reconhecido pelo ouvinte. Aquilo que é reconhecido, aquilo que o ouvinte já conhece em outras músicas o faz identificar-se com o que já ouviu e curta a 'novidade' em outras músicas que na verdade pouco tem de novo.
Não seria essa uma das razões pelas quais se amanhã um amigo ou parente meu que use um jeans apertadinho, tenha o cabelo baixo com um topetinho, um gingadinho na cintura, peitorais e bíceps meio avantajados, toque um violão com sequência C G Dm F e cante uma música relatando uma aventura amorosa, uma paixão fulminante ou um abandono e afogamento das mágoas na margaça caia no gosto da galera que curte uma música só??

E sendo ainda mais polêmica, correndo o risco total de ser considerada elitista e tudo mais até mesmo uma "camarguete" concordo com o Zeca quando ele comenta, de modo não muito delicado, entendi isso, que estamos empobrecidos em nossa 'cultura'. Avalio que estamos sim, com a audição regredindo como constata Adorno. Estamos com a visão regredindo, com tudo regredindo... e os responsáveis por isso são os mesmos meios onde Zeca Camargo atua... os midiáticos. Estamos a cada dia aderindo a uma 'cultura massificada' a um gosto que produzem em qualquer linguagem artística para vender e vender. Nisso, não percebemos o quanto são iguais uns e outros tanto na música sertaneja quanto no rock, no pop ou na MPB... no funk, no blues ou no jazz e por aí vai. No cinema, na literatura e por aí vai...


quarta-feira, 27 de junho de 2012

PROPAGANDA - A alma do negócio (?)

Comerciais... eis que alguns surpreendem seja por graça, singeleza, impacto... Tem também aqueles que depois 'entram na cabeça'...

Trago aqui alguns que já podem ser bastante rodados, mas não perdem no meu ranking:







Da Tigre tem uma série completa, com dancinhas engraçadas e com a ideia, fuja do mico! kkkkk


Essa me faz rir sempre que vejo! Ahh o Giane!!! Mas as outras sem ele não ficam atrás!


A risadinha dela é ótima! Momento delícia pra mim imitar, ririiii!


Com essa eu ouvia pessoas cantando e cantando e não via na TV... 


Canto até hoje - unhhGUEROPaaaaaaaaaaaaahhh!


Berrar eu quero Brócolis e se contentar com um Rabanete!! Baseada em uma que o menino faz a pior birra que alguém pode presenciar por conta de doces!


Tem ainda o da festinha e o que eu gostei muuuuito, a vingança do tio, que não é da Sukita, mas...




Esse acho até meio macabro... meio anropófago!


E pra fechar, um dos mais babacas que já vi... tanto quanto a 'estrelada' pelo Latino, mas que 'entra na cabeça' só o sabor de Kuat que não entra muito bem:



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O POVO TEM O QUE MERECE



Eu já disse aqui algumas vezes que tal frase, tão popular, tão sabedoria do povo me gera conflitos! E torno a dizer, mas hoje, concordando que o povo tem mesmo o que merece...

Enquanto os debates se emassam (neologismo, indicação de algo que torna-se massante, chato, impertinente já que ninguém vai fazer porra - opa- nenhuma pra mundar) em torno do aumento salarial dos ministros e deputados e pouco se debate sobre a respeito de pronunciamentois presidenciais e dos ministérios sobre o salário mínimo. O frade Dominicano Marcos Sassatelli, trouxe um pouco disso para nós e você pode indignar-se lendo em: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5281/9/

Baseando-se na ação popular, vi hoje em inúmeros sites, bloggers, tuuuudo que é canto, um texto a respeito da Greve Geral na Grécia, cujo povo, não aceitou as negociatas e entrega de suas cabeças aos organismos internacionais.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17261

Isso faz-me memorar e sentir dor, de uma das mais belas ações das quais participei, a Greve da Educação Municipal de Goiânia em 2010... Ouvi dentro da escola que trabalho, que alguns não podereriam arriscar a terem seus pontos cortados e mandando recado, só pode ter sido aos filhos de ministros, que não poderiam arriscar pois não tinham pais para contribuir no orçamento! (senti isso como algo bastante pessoal, por residir com minha família)... E essa semana, algumas dessas mesmas pessoas, estiveram a reclamar, criticar os salários dos ministros e coleguinhas... Eu não digo nada na hora... Minha cabeça apenas processa!
Agora, eu digo, contentem-se, não reclamem... Não tiveram a coragem de fazer nada para mudar... Os ministros e deputados, sim! Eles pelo menos, não traem os interesses da sua Categoria!

Hoje sem dúvida nenhuma digo, o povo tem o que merece! E infelizmente, to no meio do povo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cotidiano!

Ahhhh, como andar de ônibus é interessante! Agora trabalhando tão perto de casa não preciso tanto mais usar o transporte coletivo, mas ontem, quando esperei por 35 minutos a linha 400 Circular Independencia para participar da reunião do Comando de Greve da Rede Municipal de Educação de Goiânia, assunto do post acima, senti-me comtemplada nas palavras (de baixo calão) de um certo senhor que sentindo-se indignado, aos berros deu recados a um rapaz da Companhia Metropolitana de Trasnporte Coletivo...

Com a demora do ônibus um dos 'revoltados' do dia começou a chamar atenção do povo quando aos berros e desfiando um sem tanto de nomes que minha mãe já me disse "mileoitocentas" vezes pra eu não dizer - e pra ela não dizer "milioitocentaseuma" não direi até por que quem já esperou ônibus mais de 20 minutos bem sabe quais são - reinvindicou maior número de ônibus na linha. Enquanto 4 outros coletivos da linha Circular 'coletava' o povo, nenhum coletou os que iam para a Av. Independência... e daí continuou em meio a xingamentos que pagava por aquela merda de transporte (opa, o merda saiu) e tal... Enquanto estava em seu acesso de fúria, alguns moralistas começaram a reprimí-lo pelas palavras que usava... Uma senhora disse que havia crianças no ônibus, e aí que o moço enlouqueceu mais, disse que tirasse-as dalí, e aproveitassem para ensiná-las a aceitar pacificamente tudo o que lhes era imposto... E foi indo além, dizendo que se as pessoas não percebiam o descaso ali, se gostavam de ser enganados (a palavra não foi essa, foi algo relacionado a ferro enfiando em orifícios e reticencias) ele não gostava! Nesse meio tempo os moralistas exaltados, ameaçavam até descê-lo do ônibus... Ahhh se forçassem a situação para isso, desceriam eu também kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

Fato é que na 'pregação' dele entrou a seguinte frase: "tá, se vocês acham que o transporte está bom, não reclama na hora da Copa se chegarem atrasados para os jogos, não vejam as coisas não fiquem aí procupados com isso"...