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quinta-feira, 16 de julho de 2020

COISAS DE COVID-19: Corona vírus e não sou obrigada - II: Ivermectina parte 1.

Desde o início da pandemia tenho reconhecido mais ainda meus privilégios e pensado muito sobre a trajetória de vida que tive, as oportunidades, e, lembrado bem que na minha identidade de classe trabalhadora, fui privilegiada por não ter de assimilar estudo e trabalho, pois meus pais, diferentemente de muitos pais dessa classe, me proveram condições materiais para apenas estudar na infância e adolescência. Oportunidade que sei que não é para todos. 

Hoje, olhando a trajetória acho que fiz bom uso da frase que sempre pais que conseguem garantir aos filhos o estudo sem trabalhar proferem, ordenam: "você não faz nada, estão estude". Não que fosse a top das top, a nerd, mas acolhi bem muitas aprendizagens básicas que hoje vejo faltarem absolutamente em muita gente. Talvez nem faltaram, talvez muitos quiseram mesmo foi deletar e abdicar de seu próprio pensamento porque é bem mais fácil botar fé na corrente de WhatsApp do que se lembrar do básico da escola, que em tese, e a meu ver, parte síntese, cumpre pelo menos parcialmente o papel de transmitir para fins de assimilação o conhecimento científico sistematizado produzido pela humanidade.

Nesse sentido, me lembro, as vezes em flashes, de momentos da escola primária quando, ainda os estudos de "ciências", ensinavam-se sobre as doenças causadas por vírus, bactérias, parasitas. Guardo na memória imagens de um livro de ciências da 2ª série em que, caricaturalmente, um brejeiro ia próximo a um rio defecar e suas fezes contaminavam a água, gerando patógenos e onde aparecia por exemplo o ciclo de vida de parasitas, que faziam depois aquele mesmo brejeiro, familiares e outras pessoas, vítimas de alguma doença, de alguma verminose, que no caso específico me deixou totalmente encabulada porque causava "barriga d'água". Mais tarde, na "ciências" da 6ª série aprendi que aquela doença se chamava esquistossomose, que as condições sanitárias precárias e a falta de água potável agravavam o problema, e aí já tinha algumas condições para compreender que o saneamento básico era uma das formas profiláticas de conter a doença e que também, havia tratamento medicamentoso para grande parte das doenças parasitárias, algo que foi bastante aprofundado lá no Ensino Médio. Inclusive deu até pra compreender que "barriga d'água" não era coisa de gente da roça, mas que na cidade, com a ineficiência de governos em garantir e potencializar saneamento básico, fazia com que também na cidade os perigos das doenças parasitárias fosse iminente, principalmente para a parcela menos ou nada privilegiada que eu da classe trabalhadora.



Esses conhecimentos básicos, que todo aquele que frequentou a escola, em condições mínimas asseguradas para uma boa aprendizagem, também sei que parcela inferior que gostaria, me fizeram entender que existem diversos microrganismos e diferentes formas de auxiliarem ou atacarem o corpo. E lembrando também desses conhecimentos básicos, aprendi lá que o corpo se forma meio que gradualmente, de células que formam tecidos, que formam órgãos, que formam sistemas e que, por fim, funcionando juntos, fazem o 'corpo' funcionar. 

Essas memórias vieram muito à tona desde as primeiras semanas após o anúncio da OMS acerca da Pandemia causada pelo Corona vírus "versão 2019" e da corrida por tratamentos eficazes contra a doença em seu potencial de morte, grande disseminação e sequelas mesmo em suas formas mais brandas. Muitos de nós sabemos que não existe nada comprovadamente seguro e eficaz de fato, seja para prevenção ou tratamento da doença causada pelo vírus, a COVID19 e suas apresentações clínicas.

Entretanto, vimos na corrida por algum tipo de tratamento despontar-se especulações, teorias conspiratórias e até campanhas em favor de alguns medicamentos que, em hipótese, poderiam trazer algum benefício. Contudo, não chegamos ainda a nenhuma conclusão, a nenhuma evidência científica de fármacos nem para prevenir, tampouco imunizar ou tratar a doença em seu núcleo.
Sabe-se que a doença é causada por um vírus, organismo que lá no ensino fundamental e médio aprendi que se difere em ação, anatomia e fisiologia de outros organismos como vermes, bactérias, fungos... há obviamente outros aspectos que um especialista nessa área poderia pontuar bem melhor, mas que é, no limite, suficiente para a discussão aqui em pauta.
Ao considerarmos o vírus e sua estrutura, aprende-se que antivirais são os principais medicamentos que atacariam e venceriam algum vírus e também que, raramente teremos um medicamento antiparasitário, anti verme eficiente no combate do organismo viral, bem como antibióticos - apropriados para combater doenças bacterianas...

Contudo, em hipóteses, o raramente entrou em ação, e na corrida por cura, tratamento ou prevenção da Covid-19 alguns medicamentos começaram a ser testados no mundo todo, e parte deles apresentou indicativos para continuidade nas pesquisas.
Normalmente, a partir de hipóteses iniciam-se fases de testes para quaisquer medicamento passa a ser estudado, havendo um protocolo a ser seguido. Numa fase inicial é feito um estudo experimental, pré-clínico, com testes em células isoladas e posteriormente em animais de pequeno porte; depois em animais de porte maior; depois em um pequeno grupo de humanos; depois em um grupo maior... sempre testando as evidências até chegar-se a um parecer para eficácia, segurança na dosagem, efeitos colaterais etc. Entretanto, chegam-se a testes em animais mesmo de pequeno porte somente se no primeiro momento, na aplicação do fármaco em células isoladas o mesmo apresentar algum efeito. É o que se chama de teste in vitro.

E aí, demorou mas chegou: entramos na ivermectina! Dentre 153 medicamentos que estão sendo testados no combate à Covid-19 a ivermectina foi um dos que apresentaram potencial para continuidade nas pesquisas após ser aplicada em célula infectada com corona vírus e, em 48h reduzir em 97% sua carga viral. Entretanto, cabe ressaltar: o estudo é pré-clínico e só é válido para não excluir-se a ivermectina da lista de medicamentos completamente ineficazes, dado que esses, que nem reduzem carga viral e são excluídos da lista de possibilidades. É como se fosse um indicativo, continua aí vendo nas próximas fases, talvez funcione! Eis que o talvez é o divisor de águas.

A possibilidade apresentada pelo estudo pré-clínico virou quase fofoca: de uma "carta branca" para continuar na fase pré-clínica, passando a testar o medicamento em animais de pequeno porte, só porque o medicamento já é utilizado e comercializado para PARASITAS, numa dosagem específica para PARASITAS, os "fofoqueiros" já saíram aumentando a história, concluindo que a ivermectina é eficaz para prevenção da Covid-19. Olhe lá: de uma carta branca para continuidade de pesquisas já se pulou para "ela previne, ela trata, ela cura".

A crença é tão forte que a procura pelo medicamento cresceu exponencialmente em várias cidades brasileiras como é possível confirmar em buscas simples nas mídias e até mesmo em nossos grupos de conversas - espero que todos como os meus, de forma remota, ainda mantendo o necessário distanciamento social. As alegações inúmeras e argumentos perpassam por "médicos estão indicando" e "não há efeitos colaterais graves".

Tais argumentos ficarão para a parte seguinte dessa série, onde continuarei a partilhar minhas impressões e considerações, porque não sou obrigada né!

Alguns links interessantes para leitura:


http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/esquistossomose

https://saude.abril.com.br/medicina/no-mundo-todo-153-remedios-sao-testados-em-pacientes-com-coronavirus/

https://www.inca.gov.br/pesquisa/ensaios-clinicos/fases-desenvolvimento-um-novo-medicamento

https://monografias.brasilescola.uol.com.br/biologia/vermes.htm

https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/04/04/cientistas-acham-remedio-em-testes-que-mata-coronavirus-48h-apos-infeccao.htm








terça-feira, 14 de julho de 2020

Coisas de COVID-19: Corona virus e não sou obrigada - I

Desde que foi comunicada às autoridades competentes o surto de Corona vírus em sua versão 2019 muita coisa tem ficado por esclarecer, outras por dizer, dado que me calei demais nos últimos anos, principalmente por aqui. O exercício será retomado e minhas conjecturas serão publicadas assim que a vontade de "falar" vier e eu quiser usar meu espaço para isso.

Com todo reconhecimento à ciência, aos cientistas, pesquisadores do mundo todo em todas as áreas de conhecimento peço licença para em alguns momentos recorrer ao básico, ao fundamental mesmo, as vezes em sentido literal referindo-me a etapa de ensino. Outras vezes usarei os dados maiores, com todo respeito à memória dos que perderam a batalha para a doença.

De tanta coisa que nesses mais de 4 meses de pandemia algumas me deixaram com vontade grande de expor meus pontos de vista, minhas correlações e percepções. Um cata aqui cata acola de informações, opiniões alheias, falas irresponsáveis de pessoas que quando pensa-se um pouco fora da caixa, vemos pelo em ovo.

Sobre uma suposta culpabilização da China a cerca da pandemia, ideia difundida inclusive por chefes de estados líderes em número de infectados, EUA e Brasil, muita gente, querida até entrou no discurso e, ao sentar sobre o próprio rabo proferiu coisas do tipo 1. "querem dominar os mercados"; 2. cancelem a China"; 3. "comem tudo que é bicho vivo"; 4. "Criaram o vírus em laboratório" e  5. "esses comunistas!"... e outras mais que não tão repetidamente ouvimos nesse contexto, mas que ouvi muitas vezes calada para não cansar a beleza mesmo! Aqui não mais, digo: 1. Não, a China não quer dominar os mercados. Já estão dominando. há um bom tempo são uns dos que dominam. Desafio os que '2' dizem o "cancelem a China" se cancelarem, se desfazerem da infinidade de itens domésticos, eletrônicos, vestuário, artigos de lazer MADE IN CHINA de suas vidas! E o desafio vai além para que cancele mesmo então e pare de comprar produtos da China. Duvido fazerem e até imagino alegarem "to brincando". Eu não. Tanto que quando ouço o 3 me dá nos nervos saber que gente que come tatu, capivara, javali, coelho, paca enfim, inúmeras espécies animais vendidos como exóticos no mercado LEGAL, mas que sabemos que, ilegalmente, temos a caça para consumo dessas espécies, obviamente sem inspeção e atestado de "segurança alimentar". Quero nem comentar sobre leis que beneficiam "caçadores esportivos" em curso no governo atual, tampouco que esses mesmos são grandes propagadores da "3. comem tudo que é bicho vivo". Pensamento em cadeia aqui: alguns acham que catar um tatu no mato e comer é diferente de caçar um pangolim. E no ataque ao que come pangolim, senta no rabo e faz questão de esquecer que apóia certas políticas que flexibiliza a caça de animais silvestres, muitos até em risco de extinção. O 4, aff, é o melhor que se tem a dizer. Porque ao buscarmos saber a fundamentação voltamos ao 1. e pulamos para o 5, com leve alteração "porque são comunistas"... E ai né, quando a gente faz qualquer alerta, a 5, inicial, "esses comunistas" entra em vigor, usada por gente que não sabe nem a origem etimológica da palavra comum, algo que se aprende lá no ensino fundamental, na primeira fase ainda...


Nesse sentido, a primeira postagem da série "Coisas de COVID-19" me permito a responder algumas coisas porque não sou obrigada a ouvir e ficar calada.

Por aqui fico, lembrando que há mais entre um pescoço e um umbigo do que supõe um cabeça oca, implanto a dúvida: quem sabe a culpada China teve mesmo foi a decência de avisar, talvez até por ter perdido o controle, que havia um surto epidêmico de corona vírus, algo que outros, deixaram passar, não viram, não se ligaram no que poderia estar acontecendo, não inspecionavam mercados de peixes vindos de águas quiçá contaminadas... pode haver mais coisas do que afirma o tiozão do Zap. Mas garanto, vão muito além de umas 5 frases em caixa alta que te pedem para compartilhar pra salvar o mundo dos comunistas. 

Conteúdos similares sobre "origem" do vírus e as novidades:




https://www.bbc.com/portuguese/geral-52506223






sábado, 15 de junho de 2019

À César o que é de César e a Rhuan o que é de Rhuan


              Há umas três semanas me foi, terapeuticamente, dada a tarefa de retomar os escritos por aqui. Os planos vão de vento em popa. A efetivação é que ficou travada e retomo hoje, a exteriorizar aquilo que retenho sobre diversas causas. E isso, também acabou se tornando uma dificuldade, haja vista, a grandeza de coisas que me afligem e que tenho retido, principalmente pela velocidade com que acontecem. É como se, em cada turno, pelo menos um 7x1 diferente tivesse que ser processado (embora eu confesse, ter me divertido com aquilo)  que mal dá tempo de processar e já aparece outro.

Essa semana me chamou bastante atenção o terrível caso do gatoro Rhuan Maicon, brutalmente assassinado, esquartejado e queimado na tentativa de ocultação de cadáver. Me assustaria muito mais se as pessoas achassem normal. Com todo respeito póstumo a Rhuan e aos familiares que se importavam com ele, as pessoas passariam a achar normal tal atrocidade se Rhuan fosse um pouco mais velho e tivesse se tornado criminoso, mesmo que de delitos parcos. Muitos achariam normal, como tantas vezes já vi, observarem "vingadores" fazerem atrocidades e uma multidão dar likes e comentar que mereceu. Nunca, jamais, ninguém merece tal tratamento, mas muita gente acredita que alguns, devido à alguns de seus comportamentos, merecem e é bem pouco.

Contudo, o caso a comentar dessa terrível tragédia não é a hipocrisia e comoção seletiva das pessoas, mas as manifestações de vozes que buscaram justificativas grotescas para que o caso não tomasse, como febre, as páginas de jornais, as hashtags com o nome de Rhuan, ou que seu rosto estivesse estampado em todos os perfis! "Afinal, fizeram isso quando um cachorro foi assassinado" foi o que vi por muitos cantos... 

E claro, algumas pessoas não podiam perder a oportunidade de usar o trágico fato para depreciar o Todo em face do Particular. Vamos primeiro ao particular: Rhuan assassinado no dia 31 de maio por sua mãe que teve como cúmplice nos crimes, sua companheira e à crueldade criminosa das duas acrescenta-se ainda, denúncias sobre tortura e mutilação da criança em anos anteriores ao fatal crime. O caso foi tratado de modo simplista quanto a motivação: Rhuan não estampou as manchetes e não tomou as redes sociais por ser mais um caso de evidência da "esquerda" (o universal) ser protegida! De proteger-se a população LGBTT pois as "mães" do garoto, homossexuais, não deveriam ser expostas para proteger "as pautas da esquerda". A pequenez do raciocínio me deixou tão estarrecida quanto a crueldade das duas mulheres.
Imaginem as sinapses se fazendo na cabeça dos que assim argumentaram... "mãe sapatão, odeia hômi, ah é feminista, cortou o pipiu do menino e matou ele porque são feminista, de esquerda e porque o mundo é de esquerda a mídia não vai falar disso pra proteger a esquerda". Pior é que se dá pra chamar isso de raciocínio, tanta gente achou de falar do caso do Rhuan, dar a visibilidade que a "mídia esquerdizada" não deu, reprodizindo esse raciocínio! 

Não vi comentários acerca da pouca veiculação das reportagens que buscavam motivações para o crime irem além de reprodução do preconceito contra a esquerda e contra homossexuais, como se todos povos do mundo, de esquerda e também homossexuais, fossem capazes de um crime assim ou o aceitasse e aceitassem que duas mulheres que fazem isso, merecem redenção por serem homossexuais. E claro, a reprodução desse preconceito odioso, não é nem de longe tão dolorido, não abre em mim uma chaga tão grande quanto pensar num garotinho ser tão maltratado assim por duas pessoas inescrupulosas, fanáticas em seus delírios (Particular) e que não representam o Todo! 

Quando soube do caso Rhuan, busquei ler sobre o assunto e me deparei com uma coisa tão assustadora como a morte do garoto, que foi a data do fato e que mais de uma semana depois é que tomei conhecimento. Me perguntando o motivo, meu raciocínio, talvez não correto, e talvez alguns ao lerem se questionarão se de fato é um raciocínio, levou-me, imediatamente, ao que no dia seguinte ao assassinato de Rhuan vi em tudo quanto é meio de comunicação: a acusação de estupro que pesava sobre o jogador de futebol Neymar. E via piadinhas, fotos vazadas, frases sem nexo e pessoas rindo disso... E via julgamentos, advogados de defesa e de acusação... e pessoas rindo disso! E pessoas e mais pessoas envolvidas no caso de uma "grande estrela" sendo acusada de um crime e o reboliço que tudo isso causou... e via esse assunto tomando tudo que é espaço, real ou virtual... e mais julgamentos, mais culpabilização da mulher, mais propagação de machismo patriarcal, mais pessoas acusando a suposta vítima e mais pessoas defendendo o suposto agressor, Neymar. Às vezes até imaginava que as pessoas, gigantesca maioria em defesa do jogador, estavam lá, junto com ele e a garota no quarto, tanto que partido tomavam em afirmar que ela estava com as intenções piores... e nas semanas seguintes, o que tomou os jornais e as redes sociais girava em torno desse assunto, uns agradeceram a ele, pois assim, o governo Bolsonaro ficou escamoteado, até pelo menos, o vazamento das informações jornalísticas do Intercept nesse último final de semana.

Daí podem pensar comigo... se aqui, onde eu queria tratar do caso Rhuan, uma criança pobre, vítima de maus tratos, tortura, assassinato e vilipendiação de cadáver, pelo menos outras três figuras públicas apareceram imaginem nas proporções daqueles tarados por redes sociais e notícias bombásticas... imaginem pessoas que gostam de vazar tudo que é intimidade de celebridade, de comentar, de participar da vida de tais pessoas por mais medíocre que isso seja? Gente, o povo vazou foto do Cristiano Araujo nu, morto no necrotério! O povo vazou foto do cadáver do Gabriel Diniz! o povo vaza foto de tudo que é notícia de celebridades e concorrer com isso, mídia nenhuma é capaz! E mais uma vez, nomes de "celebridades" tomam essas páginas em detrimento do nome de Rhuan! E assim caminharemos. Pra quem tem tara sobre a vida alheia, um garoto ser assassiando e esquartejado é muito menos notícia e muito menos digno de voz do que um jogador de futebol famoso, rico acusado de estupro! E isso se deve não à esquerda escamotear o fato por conta da orientação sexual da mãe, mas sim, à propensão que temos em tomar partido de quem é grande e dá visibilidade e likes!

O cachorro do Carrefour virou nóticia porque não houve nenhum fato medíocre ou bombástico invadindo o espaço... não houve especulação sobre a vida de algúem rico, importante, só o básico e corriqueiro... aí um passarinho  de qualquer artista que fosse atropelado viraria notícia e alguém produziria a comoção em massa. Alguém sugeriria a hashtag, "alguéns" tantos outros seguiriam a onda pra ficar famosinho... e convenhamos, infelizmente uma hashtag "alguma coisa neymar" faz infinitamente mais sucesso que uma  #rhuanvive. 


Ps. Lendo notícias acerca do processo, o delegado que investiga o caso comentou forte influência de fanatismo religioso na mãe. Ah de religião Cristã, inclusive! vão dizer que é um ataque à fé ou entender que nem todo mundo é um fanático religioso que distorce o que dizem as escrituras?



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Quem nunquinha quis ser menino?

Quando eu era criança, tinha cabelo de menino. Hoje chamam corte Joãozinho e já foi moda entre as celebridades. No início dos anos 90, não era!
Mamãe gostava daquele jeito e dizia: "quando você crescer e conseguir cuidar do seu cabelo, deixa grande, sem pentear, curto, preso, com piolho, do jeito que você quiser".
Não que eu gostasse... Contudo, via as vantagens que aquele cabelo me trazia, pois facilitava o passe para muitas brincadeiras e jogos "de menino", sobretudo em locais em que os meninos não me conheciam! Jogos e brincadeiras dos quais nunca fui proibida nem pela mamãe ou pelo papai de fazer.

Gostava e me identificava com a "liberdade" que os meninos tinham e quando chegava num espaço diferente, com crianças diferentes e via as meninas brincando e os meninos brincando, sempre achava mais atraente a brincadeira dos meninos. Talvez fosse já pelo medo da rejeição das meninas quanto ao meu cabelo. Mas talvez fosse por perceber que as brincadeiras "de menino" eram mais divertidas mesmo. Afinal, correr atrás um do outro, chutar coisas, ver quem subia mais rápido no trepa trepa, atravessava mais rápido a escada horizontal ou quem não saía tonto do gira-gira rodado à toda velocidade, construir fazendas e "dirigir caminhão", sempre me parecia mais divertido do que brincar de salão de beleza imaginário, passar anel, boneca, casinha, cozinhadinha etc. embora também brincasse disso, sabendo hoje que num tempo muito mais curto, pois lembro que rapidinho já não queria mais.
Lembro de uma alegria bonita quando num Natal ganhei uma bola e minha irmã, mais nova um pouquinho que eu, ganhou uma boneca com cheiro de fruta. Como fui feliz com meu presente! Não entendia, mas sentia-me mais livre e sem a preocupação de manter o cheirinho da boneca.


Recordo-me que uma vez, numa festa junina entrei na fila pra subir no pau de sebo e pegar a prenda... eu estava de roupa rosa, um rosa chock que eu gostava e capaz que isso me entregou! Um menino falou no meio dos outros que uma menina queria subir: todos me observaram, analisaram e passaram na minha frente na fila me deixando por último. Deixei a fila e fui pra barraca de pescaria. Aprendi ali algumas lições... Ali entendi que me identificava com parte do que era divertido no universo masculino, mas que nele, não me cabia. Entretanto, fazer parte das brincadeiras, achar -me "menino" muitas das vezes quando brincava com a molecada me deixava satisfeita. Outras vezes, me deixava chateada por muitos que me conheciam me julgarem e, ignorantemente, me chamarem "macho-fêmea"! Não sabiam o que eu sentia. Não sabiam que internamente, muitas vezes me identificava com o masculino...

Pra que toda essa memória? Pra "bocozada de mola" que hoje me conhece saber que em alguns momentos da vida me identifiquei com o gênero masculino, brinquei com menino, joguei bola, brinquei de carrinho, apertei campainha, subi e pulei muro, fiz competição de cuspe, perdi na distância de mijo e isso não mudou em nada minha vida a não ser ampliar minhas vivências e me fazer perceber as diferenças entre gênero masculino e feminino, sejam biológicas ou sócio-culturais.
Atualmente muito se fala em "ideologia de gênero" - sem saber o que é isso - e em a escola querer ensinar as crianças a virarem homossexuais - sem conhecer escola. Queria saber de onde esse povo tira isso! Aliás, eu sei de onde tiram...


Só não consigo acreditar que as pessoas não são capazes de perceber que falar sobre o que existe e da necessidade de respeitar cada um em sua identidade de gênero e também em orientação sexual não é "criar" homossexuais. Não acredito que as pessoas, inclusive que se autodeclaram educadores, não são capazes de perceber que estar com meninx, brincar com meninx, fazer coisas de meninx, identificar-se com o universo infantil masculino ou feminino, por dias, por um período ou pela vida toda, não altera em nada a orientação sexual.



Me é custoso entender ainda como muitas pessoas não são capazes de perceber que a pessoa já se encontra afetivamente ligada a um indivíduo do mesmo sexo, se vencer o preconceito, a discriminação, a intolerância causada pela heteronormatividade e não for assassinada por homofóbicos, poderá ter o direito de viver intensamente suas relações homoafetivas.














quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A FALÁCIA DA ESCOLA SEM PARTIDO

Pra começar, o termo ESCOLA SEM PARTIDO é mal intencionado e os que o concebem sabem bem disso. Talvez não saibam aqueles que reproduzem-no, que ouvem defesas mal intencionadas dos que enfrentam uma escola que, de fato ruma para ser o que escola deve ser: promotora de conhecimentos sistematizados, promotora de debate e passível de contribuir para a reflexão a cerca das estruturas da sociedade, para a consolidação da autonomia e da liberdade, abafadas pelo capital.

A prática pedagógica é em si uma prática social política. Não é necessariamente partidária, mas não é apolítica. E no quadro de uma prática social política, colocar a par dos acontecimentos em diferentes perspectivas e frentes é fazer educação.

Sabendo do caráter apolítico da prática pedagógica aqueles que querem frear os avanços que temos feito na educação criou-se toda uma mídia que vem conseguindo convencer cada vez mais pessoas que "há uma ditadura de esquerda no ensino público e que as nossas criancinhas estão sendo corrompidas por uma escola psicopata, sem valores, amoral e esquerdista"...

Vamos por partes... Politicamente, compreendo o poder da Pedagogia Crítica nos avanços que temos e não dá pra explicar isso sem falar sobre luta de classes e ensino público. O ensino público no Brasil, a escolarização para a classe popular, começa a receber investimentos no início do século XX em virtude da necessidade de formação de mão de obra, de força de trabalho. Nesse sentido, temos uma prática pedagógica já repleta de interesse político/econômico: formar trabalhadores para o mercado de trabalho, para tanto uma prática pedagógica que introduziria e faria incorporar técnicas a serem aplicados no mercado de trabalho. Uma educação voltada ao fazer irrefletido e que é considerada pela parte detentora dos meios de produção, essencial, portanto, nada apolítica, nada apartidária. Assim, a educação, da forma como se processa, tem estado a serviço, digamos, de um partido, um partido da classe detentora dos meios de produção que necessita manter a estrutura da sociedade, precisa forjar trabalhadores que pouco reflitam sobre questões para além de conteúdos mecanizados, fragmentados e instrumentalizados.
E, vendo se processar uma perspectiva educacional crítica, progressista, voltada a levar a classe trabalhadora a ir além do que a classe burguesa considera necessário para formar suas "máquinas", a burguesia viabiliza seu projeto de manutenção da estrutura de exploração de força de trabalho que reproduz seus interesses, dentre outras maneiras, "criando" um projeto, uma prática pedagógica baseada na falácia de neutralidade política, A FALÁCIA DA ESCOLA SEM PARTIDO. E pior, pelos meios mais vis e promotores de ódio convence parte da sociedade que a escola precisa conservar uma neutralidade que nunca foi sua.

Conforme Saviani (1983) a escola é um instrumento de reprodução das relações sociais e, reproduzindo a sociedade capitalista, reproduz a dominação e exploração característicos dessa sociedade, apresentando-se como tendente à conservar o antagonismo de classe. Contudo, o filósofo pontua que uma educação que se baseie em uma sólida fundamentação teórica para a compreensão da realidade social, é capaz de transformar as bases da sociedade, formando o homem para “torná-lo cada vez mais capaz de conhecer os elementos de sua situação a fim de poder intervir nela transformando-a no sentido da ampliação da liberdade, comunicação e colaboração entre os homens” (SAVIANI, 1980, p. 52). Para tanto, ainda segundo o filósofo, a escola deve possibilitar a formação do homem livre, democrático e autônomo, exatamente o que não é efetivado numa sociedade pautada pelo capital e numa escola que atenda aos interesses da classe burguesa. 

Para isso, não se pode processar apenas um ponto de vista, furtar-se do debate e da liberdade de ideias baseadas no conhecimento historicamente construído pela espécie humana, não se pode negligenciar ponderar o pensamento conservador e o progressista. No contexto da Escola sem partido, professor que em sala de aula, ponderar as coisas, elevar o contraditório, instigar ao pensamento dialético, emitir seu pensamento e ter formação capaz de levar o estudante a ser além de uma máquina reprodutiva dos 'valores' da sociedade burguesa e que faça frente à conservação da sociedade capitalista, é tomado como tendencioso e promotor de uma escola partidarista, gravemente promotor da "doutrinação esquerdista". Contudo, aquele que não o faz, promove para nós aqui, a manutenção de uma sociedade que inventa um ensino neutro numa escola que não é e nunca foi neutra, apolítica e muito menos, apartidária...


Para informações sobre o assunto: http://www.anped.org.br/search/node/ESCOLA%20SEM%20PARTIDO 




sexta-feira, 1 de abril de 2016

OS "COMPRADOS" PELA LEI ROUANET


Uma das coisas que não me descem é o mimimi sobre artista que defende o governo porque recebe dinheiro da Lei Rouanet. 

Não sou obrigada a ver e ouvir coisas sem nada dizer e vejo por aí proliferando a desinformação de que a Lei Rouanet foi criada para o PT comprar artistas. 
Primeiro devemos saber que a Lei Nacional de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91), pra começar, não foi criada por uma bancada petista, menos ainda aprovada por um presidente petista.  A lei foi aprovada em 1991, no governo Collor. Permaneceu no governo FHC, igualmente no governo Lula e Dilma.

Vejo também postagens por aí dizendo que artistas recebem dinheiro do governo para desenvolver seus projetos. E ainda, acusações de que artista tal, defende o governo para não perder o dinheiro que ganha... Gente, bobagem tem limite. O governo não 'dá' dinheiro para ninguém desenvolver projetos culturais. Para que algum artista consiga alguma grana para desenvolver seus projetos artísticos (não vamos aqui discutir se são arte ou produto) primeiro ele precisa escrever um projeto, de acordo com o edital. Posteriormente, os projetos são submetidos ao Ministério da Cultura e lá aprovados ou não para a CAPTAÇÃO DE RECURSOS. Um projeto apto à captação de recursos não significa que artista X receberá algum recurso. Sairá em busca (ele não, provavelmente) de empresas que tenham interesse em PATROCINAR seu projeto. Assim, uma empresa interessada em DEDUZIR percentual de seu IMPOSTO DE RENDA, provê os recursos ao artista. Portanto, não é dinheiro público que vai para os artistas. E aí você pode até argumentar: o dinheiro dos impostos é dinheiro público, logo, os artistas recebem dinheiro público. Calma lá!!! Dinheiro que ainda não foi para os cofres públicos (e bem sabemos que muitas empresas e até pessoas físicas dão seus jeitinhos de não fazer com que a eles cheguem) então, não é dinheiro público. 

Outra coisinha a pensar... voltemos à 1991 e porque empresas teriam interesse em financiar projetos artísticos. Ah, é porque querem o bem da cultura no país, né? 
E vamos para 2016, por que ninguém se pronuncia para a revogação de tal lei? Ahhh deve render um bom retorno às empresas! Afinal, se eu por ventura enviar um projeto ao MinC, tiver aprovada a captação de recursos e ficar no páreo com artistas famosos e que o povão ama, snif pra mim, perderei o PATROCÍNIO DE ALGUMA EMPRESA, INTERESSADA EM DEDUZIR IMPOSTO DE RENDA.

Então gente, não é porque uma EMPRESA patrocina um artista que automaticamente o artista 'mama nas teta' do governo ou defende governo. 

A própria grande antipetista organizações Globo, já teve projetos aprovados pelo MinC e recebeu recursos para muitas de suas produções, seja de filmes e minisséries. Consta na Rede, de fácil acesso, a informação que o Instituto FHC foi autorizado a captar recursos para organizar o acervo presidencial. O Instituto Raimundo Fagner, também recebeu verbas por esta via. Suzana Vieira já captou recursos, tal como Regina Duarte, Marcello Serrado e outros que figuram por aí no time mostarda e como vemos não são lá defensores do governo!

Não tenho certeza, mas acho que Luan Santana e Claudia Leite não se pronunciaram... mas que se cuidem, vão logo ser tornados petistas e defensores do governo caso se pronunciem a favor da democracia e da legalidade, tal como Letícia Sabatella, Wagner Moura, Leandra Leal, inclusive o "comprado" do Duvivier...

Inclusive, bora ver o artista 'comprado' deturpando o seríssimo trabalho das investigações da lava-jato, lembrando que quaisquer crítica em relação ao PSDB/PMDB com a realidade é só coisa de artista comprado pela Rouanet apoiando o governo para não perder a bocada...

DELAÇÃO - Porta dos Fundos



Haja paciência. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Espírito de Porco!!


Mais uma vez vejo a contradição e a falta de informação se proliferando... circula uma imagem que acusa claro, o PT, de propor que baixe de 14 para 12 anos a idade que determinaria sexo não consensual como crime. Sim, uma proposta desta a mim parece (parece porque ainda não avaliei isso direito) tão indecente como baixar de 18 para 16 a MAIORIDADE PENAL (essa já avaliei e tenho minhas concepções).
Engraçado é que a maioria das pessoas que acham absurdo a redução da idade para o sexo consensual defendem que se reduza a maioridade penal. Dá pra me explicar porque? 
Deixo claro, é raso dizer de opiniões, mas sou da de que ambas as 'reduções' são pífias e errôneas. Mas queria entender: porque muitos defendem que pode inclusive matar crianças, adolescentes, jovens e adultos que supostamente cometem crimes e não pode reduzir a idade para sexo consensual? 
Inclusive já vi zilhões de vezes o ridículo argumento: "se namora, se transa, se vota, se não sei mais o que antes dos 18, pode também ser preso", "pode responder processo". É, respondem caso não saibam.

O projeto 236/2012 é de autoria do Senador Jose Sarney do PMDB, aquele que virou notícia pego votando no 45, lembram? Pois é, não achei bonito que apareceu vídeo de o voto secreto dele aparecendo, mas apareceu e não posso crer na veracidade 100%, mas ao que tudo indica, o autor do projeto que reduz o vulnerável dos 14 para 12 anos não é do PT e ainda votou - de acordo com o vídeo - em Aécio.
Outra coisa interessante a pontuar está neste arquivo, que trás o estudo do Senado em relação ao Código Penal e as propostas de alterações de um monte de senadores. Não fui em um por um ver quantos são 'os notáveis' do PT. Sei que tem um monte do ex-senador Demóstenes Torres, amigo do Cachoeira saca? Tem ao final o como era o Código Penal.
Neste, proposto no Senado pelo Sarney podem ser vistas as alterações, com base não nas propostas de 'notáveis' de um partido, mas vários 'notáveis'. http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp…
Ah, lembremos, nem tudo é mérito ou culpa de Presidente.
WWW12.SENADO.GOV.BR

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Leu na veja azar é seu, MESMO!

LEU NA VEJA AZAR É SEU MESMO:

Mais no blog...
Refuto algumas palavras de Reinaldo Azevedo comparando o que ele diz ser ultrajante e tráfico de seres humanos. Cito:
"Já são 11.400 os cubanos que aqui trabalham nas condições que conhecemos: seus familiares não os acompanham; o salário é repassado ao governo, que transfere apenas uma pequena parcela aos profissionais, que estão impedidos de deixar o programa porque não têm autorização para exercer a medicina fora dele. Cada um recebe hoje apena  US$ 400. Generosa, Dilma quer que seu amiguinho Raúl Castro eleve esse valor para US$ 1 mil." (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/cnbb/).

Gostaria de saber qual é a diferença dessas condições de trabalho, com as condições de trabalho de grande parte da classe trabalhadora brasileira? Segundo Azevedo,cubanos são vítimas do crime de tráfico de seres humanos e digo, que, se assim for, nós brasileiros também o somos:
1 - Tal como cubanos, grande parte da classe trabalhadora brasileira aqui trabalham e suas famílias não os acompanham. Extensas jornadas de trabalho efetivado no setor em que se trabalha, mais uma outra jornada no translado até chegar em casa, não tem como a família acompanhar né??
2 - Tal como no caso dos cubanos - que Azevedo argumenta - O salário é repassado ao governo! Conhece impostos Reinaldo?! E o mais triste, o salário que repasso para o governo, que, deveria ser devolvido em benefícios/direitos, não o é!
3 - Tal como cubanos, nós trabalhadores brasileiros não podemos deixar o programa! Afinal, vivemos neste modo de produção que não nos permite deixá-lo. Tal como os cubanos, que argumentas de certo modo estarem cativos a exercer a profissão aqui, somos também cativos, tendo em vista que se nos negarmos, faltará-nos o pão.
4 - Tal como observa nos cubanos, um salário mixa, nós também, classe trabalhadora brasileira, recebemos hoje (grande maioria, por aquela extensa jornada de trabalho e translado) R$ 724,00 ou pouco mais!

A impressão que a mim fica é que, se considerar sua insana comparação, cubanos, brasileiros e toda a classe trabalhadora é vítima de crime de tráfico de seres humanos. Não, vítimas de um partido ou de um acordo entre países. Vítimas do capital.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sheherazade odeia o 'Cris'

De tanto que se comentaram sobre discriminação e incitação ao ódio proferidos por Rachel Sheherazade na semana passada, pensei em passar essa página. Contudo, como a citada moça continua falando das suas, lembrei de que meus ouvidos não são penicos!
Já ouvi-a dizer inúmeras barbaridades, porém nem isso me fez menos atônita no episódio lamentável em que a âncora do Jornal do SBT vomita sua discriminação e incita as pessoas a 'fazer justiça com as próprias mãos', mesmo que isso seja cometer crime!

Inicio reafirmando que a jornalista vomita discriminação baseada em seu comentário acerca da 'visita' e delinquência de Justin Bieber,  afinal ele é caucasiano, rico e famoso!



Comento: "menino prodígio ou adolescente problema?" Cara Sheherazade, acaso não sabes o que é prodígio? Alocar Justin Bieber como menino prodígio da música é no mínimo idiotizar e mudar o sentido do que seja isso. Bethoween e Mozart, devem ter balançado os esqueletos onde quer que estejam e certamente não foi ao som de Bieber.
Quando a jornalista aponta alguns sinais de mudanças em "Dhiâsteen" e comenta sua intimidade com crimes e atitudes arrogantes e idiotas, considera-o apenas um rebelde sem causa, e desafia a atirar a primeira pedra: quem nunca se perdeu e quis se encontrar? E para o rico, vale o argumento da medicina... a rebeldia é normal! É uma fase em que a agressividade é apenas a busca da própria identidade e nos diz para pegar leve, afinal o menino está só crescendo!
 
Aí, tempos depois Rachel parece ter esquecido da normalidade da revolta juvenil, do argumento médico que usa e de que a agressividade, é apenas a busca da própria identidade e não pega nada leve com o jovem adolescente, que também está só crescendo, contudo é anônimo (representado apenas por 'um adolescente de 15 anos em todas as manchetes que vi), pobre e negro! Com ele, não há nada de pegar leve. O 'marginalzinho' tem mais é que ser acorrentado, tem mais é que ser humilhado, afinal sua ficha é mais suja do que pau de galinheiro. E assim Rachel Sheherazade sai na defesa dos 'justiceiros' com o argumento de que num país em que a violência é endêmica, é compreensível que algumas pessoas acabem burlando leis e comentendo crimes para se defender... Em seu discurso inflamado Sheherazade faz apologia à justiça com as próprias mãos, da violência sendo respondida com violência e obviamente, incita o povo a violência.
 
Contudo, analiso que a citada jornalista incita o povo à violência contra pobres marginalizados! Só contra eles... jamais contra um Thor Batista ou um Justin Bieber, brancos, ricos. Esses são simplesmente agressivos por conta da idade, de impulsos adolescentes perfeitamente normais, afinal não são 'marginaizinhos'!
 

 
E aí, só pra lembrar, há um tempo Sheherazade envolveu-se numa polêmica em relação ao um suposto comentário de Paulo Ghiraldelli. O filósofo, teria postado em seu twitter palavras agressivas à "Sherazedo" e desejado que a jornalista fosse violentada sexualmente. O episódio, rendeu alguns 'vavús' nas redes, tendo Ghiraldelli negado veementemente que tenha escrito tais coisas e justificado que sua conta havia sido hackeada.
O irônico no fato é que Sheherazade (compartilho com ela a indignação de desejar a alguém que seja violentada, mas só isso) respondeu ao twitt de quem quer que seja que tenha escrito, que entraria com processo por incitação à violência!!
E aí, podemos processá-la pelo mesmo crime? Ou acrescentamos ainda, além da incitação à ódio e violência o crime de racismo escancarado?
 
 
 
 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AS PIPOCAS NÃO ESTOURARAM: não é de hoje, nem só de junho de 2013!


Algo que venho matutando é acerca dos comentários relacionados à temática "Copa do Mundo". Em meio à crítica do povo reacionário e de 'autoridades' e mídia iguais, a frase mais proferida que vi hoje ao dar uma sondada no assunto foi "o tempo de protestar já passou". Contudo, vinham algumas mais trágicas ainda tais como: "o povo que protesta agora é o mesmo que em 2007 deu pulos de alegria"; "fazer o que, parar tudo e desperdiçar o dinheiro que já foi gasto?"; "Não é mais hora disso, agora temos é que torcer pela nossa seleção" entre tantas mais que se delongar, não digo nada do que quero, só o que disseram.

Refutarei-as de trás pra frente:
Não, não tenho que torcer pela nossa seleção: Primeiro, porque não sinto-me parte disso; segundo, a seleção não é nossa porra nenhuma... é de empreendedores. É de empresas privadas e de acordos milionários entre estas e empreendedores! Portanto, não tenho de torcer por isso, tampouco aplaudir.

Não, não é parar tudo e desperdiçar MAIS do que já foi. Claro que não... contudo, terei melhores argumentos no pós Copa, quando observarmos o que isso terá deixado de benefícios! E espero muito, embora duvide, que a história dos Jogos Pan Americanos não se repita. Embora já vejo o reprise em notícias de superfaturamentos, maquiagem e claro, degradação da vida humana na desocupação de terrenos.

E não, não mesmo! O povo que protesta agora não é o mesmo povo que deu pulos de alegria! Embora o povo, impelido a desejar ardentemente sediar megaeventos esportivos tenha se 'alegrado' com o circo mesmo que lhe faltasse o pão, a escola, o hospital, a moradia etc. pensou nas pipocas! Sonhou com a transformação do país num piscar de olhos, tal como um milho duro e seco, transforma-se numa nutritiva e saborosa pipoca. E cabe lembrar, não foram todos os brasileiros que sonharam com as pipocas. Afinal, muitos de nós sabemos que, para que a pipoca estoure, é preciso atingir a temperatura necessária. E sabíamos que em nosso país, vivemos ainda uma pseudodemocracia, e que nesta, o calor é arrefecido por  superfaturamentos, desvios de verba, proteção a figuras importantes e mais do que nunca, regalias a quem monta o circo, enfim que nosso país ainda é marcado pelos interesses próprios, corrupção!
Àqueles que segundo alguns,  festejaram e agora querem protestar, me resta dizer a eles: Parabéns... nunca é tarde para se aliar a uma causa correta. E digo, não é o mesmo povo, em dois sentidos: Os protestos contra a Copa do Mundo e Olimpíadas se iniciaram muito antes de julho de 2013... muito antes da Copa das Confederações, enquanto sim, alguns festejavam outros já esbravejavam... Caso muitos não se recordem, asseguro, terão parcos pontos de apoio para memorar: procurei por vários cantos e não encontrei bem as evidências de que já no ato do anúncio em 2007, haviam brasileiros protestando contra o Mundial no Brasil... mas me lembro bem! E dando uma olhadinha nas retrospectivas, adivinhem: entre as mais importantes notícias encontrei "Diego Alemão vence o BBB", "Bebel e Olavo, sensações da novela", "Marta Suplicy e o conselho relaxa e goza"... Afinal, convenhamos que 2007 não éramos tão afinados nas redes sociais e manifestantes tampouco tinham tanto espaço na mídia como agora, tendo em vista que não é mais possível, ignorar-nos!
E continuo a dizer não é o MESMO povo, porque o povo esperando as pipocas viram só o piruá (aquele milho que não estoura) e com fome de pipoca não se saciaram. Pode não ter ocorrido transformações no país, mas houve transformação do povo. (ok, ainda está longe de ser a transformação que sonho, mas houve).

E não, não e não... o tempo de protestar não passou. Não passa nunca! Que se piruem os milhos e que não estourem as pipocas... que estoure o povo nas ruas, cansado de tantas carências e mazelas enquanto a teta do governo, dá leite a quem não tem fome.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A HUMANIDADE È DESUMANA

"A Humnaidade é desumana, mas ainda temos chance o sol nasce para todos"...

Usando palavras de Renato Russo inicio dizendo que tanta gente é levada a acreditar que o sol não nasce para todos, nasce apenas para alguns, considerados por eles mesmos, os melhores.

Foi esse o pensamento primeiro que me veio a cabeça quando agora a pouco 'foleava' a televisão e parei num jornaleco onde o 'repórter' Deco Martins, pareceu-me mais ridículo que há tantos anos. Reportava a história de um 'ladrão' que apanhara da vitma, um homem grande, lutador de Jiu Jitsu. Ao entrevistar a 'vítma' (que na minha opinião é tão infrator quanto outro que tentou roubá-lo) quis saber em detalhes como tudo tinha ocorrido. O lutador disse que havia pego o 'ladrão' e não deu tempo de bater o tanto que merecia, pois logo chegaram os militares impedindo a ação e detendo o 'meliante'.

Fiquei antes bestificada com a fala de Deco, puxando saco da PM dizendo que aqui em Goiás, não existe truculência por parte deles como existe por exemplo no Rio de Janeiro, pois tratam as pessoas com dignidade e respeito! Quanto a isso, prefiro não comentar pra não perder o foco...

Quando terminou a matéria, com Deco fazendo da 'vitma' herói por ter batido no 'ladrão' o ancora do jornal André Marques (e não é o do vídeo show) desfiou elogios ao lutador, e de certo modo incentivou a população a fazer sempre o mesmo. Tanto que em seguida, mostrou um vídeo de um cara, sendo assaltado que não esboçou reação alguma e acabou por ridicularizá-lo, pois, no momento em que foi abordado, a vitma amedrontada acabou urinando em sua roupa. Daí, André fazia comentários de que não devemos ter tanta coragem... Estarrecida com tudo, achei que não ia ver mais atrocidade quando de repente, entra outra reportagem.

Um assaltante, chegava no supermercado, comprava coisas e não tinha dinheiro para pagar, mostrava uma arma de brinquedo, o dono do supermecado se fazia de amedrontado, perguntava se ele queria mais alguma coisa, o então 'ladrão' pedia que acrescentasse à compra, um facão. O dono do mercado vai buscar o facao e, desarmando o 'ladrão' começa a amendrontá-lo com o facão, dizendo que vai entregar a ele, mas só depois de testá-lo. Procurei pelo vídeo e não encontrei, mas os gritos apavorados do 'ladrão' e lapadas de facão que o dono do supermecado lhe impõem são perturbadores... Até que o proprietário lhe dá uma forte lapada no meio da lombar, e um grito assustador ressoa o ar. Arrastando-se, o ladrão implora e o vídeo é suspenso... André volta a dizer que achava pouco! E troca conversas com o 'assistente' que também imprime comentários que tentam convencer as pessoas que a atitude de todos os que pegam, batem, e até matam 'ladrões' estão corretíssimos.

Espiritos de Porco como esses não poderiam adentrar as casas das pessoas e desfilar preconceitos e noções tortuosas de justiça que apenas acentuam a violência em nossa cidade/país cada vez mais! Espetacularizar desgraças é a receita ideal para quem queira transformar ainda mais o mundo em um local deplorável para se viver.

Encontrei um vídeo deplorável e chamo aqueles que acreditam num processo violento contra quem age violentamente com as pessoas erradas, para refletir sobre o que muitos defendem como 'justiça com as próprias mãos'.



E aos hipócritas que vivem dizendo que Jesus Cristo morreu na cruz para salvar os pecados do mundo, saibam... Foi assassinado por não aprovar coisas deste tipo.

O que importa não é que se roubem! Importa é a condição de quem rouba. Pensemos: os inúmeros grandes que em milionários desvios e outros roubam de toda uma população . População esta que responde roubando pequenas coisas e vingando-se dos pequenos ladrões.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Rápidas

Abismei mais uma vez com a importancia das notícias de TV!

Lembrei-me de Harry Potter, embaixo da escada da casa de seus tios, esperendo notícias importantes no noticiário quando ouve sobre pássaros que estavam 'esquiando'... ele concluira que se chegava a ponto de mostrarem na TV pássaros esquiadores, é porque nada de estranho, diferente, ruim ou sei lá estivesse acontecendo no mundo!

Eis que vejo então, entre mais exploração da história de Berlusconi e suas garotas - coisa que já deu e que a falsa moral destaca-se - a notícia de que um rato aparecera num shopping luxuoso de SãoPaulo!

domingo, 31 de outubro de 2010

Todo mundo odeia frases de velório!

Quando eu era criançinha, quando ouvia falar a palavra etiqueta logo lembrava do tanto que elas me irritam; lembrava que arrancava todas as etiquetas de roupas porque "penicam"... aí, fui crscendo e vendo que enquanto eu arrancava etiqueta de tudo, tive até algumas colegas que pegavam etiquetas de uma calça da irmã mais velha ou de uma tia endinheirada e colava com uma supr cola na calça para forjar uma grife... e aí, crescendo mais, fuio vendo que além das etiquetas de roupas, havia uma outra etiqueta! E vamos lá, pelo mundo da etiqueta, aprender a se comportar diante das coisas... e fui vendo, quanta idiotice existe neste mundinho que inibe, coage e enobrece os momentos.

Há quem dirá que no mundo de ogros a etiqueta não caia bem mesmo... eu não digo que caiba etiqueta nos lugares, mas, bom-senso!

E lá vai...

Li hoje uma coluna a respeito de 'etiqueta' em funerais. E digo, existe muita gente sem-noção fazendo visitas solidárias nos velórios, abre aspas e feche-as!

Frases como "como você está?", "nunca mais os natais serão iguais", "em todo aniversário agente chora bastante", "eu sei como é isso, quando fulano morreu eu passei por ... ", "veja como está bonito (a)" - dizendo do félitro" e outras inspiradoreas e disponíveis para apreciação no texto de Flávio de Souza Fica Comigo Esta Noite, são desesperadoras de se ouvir num velório... Sendo o morto seu, ou não!

Veja só: a pessoa lá debulhando-se em lágrimas, desesperada... com uma visão de morte na minha opinião meio equivocada... Chega alguém e pergunta "Como você está?!" Chris responderia: não é óbvio? Desesperado (a) e mostraria situações exdrúxulas e óbvias de desespero!
E o bando de Grinch que aparecem: (não que eu seja fã das festividades tortas que fazem do Natal) mas dizer que "os natais nunca mais serão iguais" faz que com que a criatura fantasticamente (real) do escritor Dr. Seuss tome vida sempre!
Dizer que "em todo aniversário agente chora bastante" não é lá muito inteligente! Considere que aniversários são temidos pelo fato de que legitimam o envelhecimento, gerador de pânico por aproximação com a morte (de onde tiram isso vai saber!), se a morte já se consumou, chorar por??? trash essa!
E o "eu sei como é isso e RETICÊNCIAS" ? Aí, a pessoa começa a contar suas experiências com morte e esquece que o enlutado não está nem ligando, pois precisava é de apoio, e não de emprestar seus ouvidos a um falador insensível!
Eu vejo sendo o fim dizerem "como está bonito (a)"! E o pior, já presenciei falas como essa em velórios de gente que todo mundo costumava dizer, 'fulano (a) mais feio que o cão chupando manga!
As bobagens como "morreu como um passarinho", "agente não vale nada nessa terra né?" eu pasmo! Já pensaram como passarinho morre? Eu vejo uns caídos, arrebentados! Outros, que eletrocutados, sangram pelos orifícios todos! Alguns hão de dizer: Mas Aline, é no sentido de ser livre! O caralho! Quem morre livre? Vez e outra, ficam coisas e mais coisas! E definitivamente, odeio que digam que não valemos nada nessa vida! Amadureci que é em vida que temos grande valor! Apenas ignoramos tal fato!

Outro assunto que tratava nas dicas era a respeito do celular! Já presenciei bizarrices com celulares em funerais! De gente estar chorando, clima pesado e um celular tocar com uma imensa e estridente gargalhada! Já ouvi tocando Festa no Apê! e até toques que combinavam com a ocasião, como certa vez tocou em um a Marcha Fúnebre! Aí pergunto: Custa ser discreto e estar no silencioso?

Coisas deste tipo vemos demais nos funerais! E o que resta a fazer é continuar catalogando-as...

terça-feira, 1 de junho de 2010

REPOSTA A TV 2

Profissionais da Educação de Goiânia nas ruas... Estamos dobrando, triplicando carga horária na Luta pelo Cumprimento da Lei do Piso Salarial Nacional e da Lei do Plano de Carreira dos Administrativos, entre outras 22 reinvindicações...

Nota breve, carreguei a bandeira hoje da "Não à terceirização da merenda dos CMEI's" segundo fontes seguríssimas o que jamais deveriam modificar nos Centros de Educação Infantil seria a merenda... Em time que se ganha, não mexe-se... Mas há uma proposta de terceirização da merenda, o que triplica o orçamento (e dá margens de lucro, desvios de verbas aos safados que se prestam a apoiar um tipo de coisa dessas).

Findada a nota, digo... dobrando e triplicando carga horária disse ontem belamente meu antigo professor "Estamos dando aula de Cidadania"...

E hoje demos um belo passo! Adentramos a Camara Municipal, lembramos aos "NOBRES SENHORES VEREADORES" ali presentes, que são representantes dos interesses do POVO, (tão óbvio né? Diz o velho ditado, o óbvio cai no esquecimento). Que quando o projeto reaparecer (pasmem, esteve sumido) lembrem-se que estamos de olho no que dizem e no que fazem!

O Coronel, anda perseguindo as pessoas, coagindo, enfim, coronelizando e dizendo que está conosco! Somos mesmo enviados como cordeiros ao meio de lobos...

Na imprensa fuleira que temos, ouvi no noticiário "Professores INVADEM a Câmara Municipal e suspendem sessão" (pros diabos com a dúvida que tenho agora nessa sessão aí) e digo-lhes, informem-se! Ainda não invalidaram nossos diplomas repórteres de uma figa! Atentem-se para o que está acontecendo. Não somos apenas os professores... SOMOS TODOS, PROFISSIONAIS EM EDUCAÇÃO, do porteiro da escola ao diretor, todos... e não INVADIMOS a Câmara, ela é nossa!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Em nota rápida!


Lembro de um tempo, muito tempo, coisa de uns dez anos em que me preparava para a primeira comunhão. Na reunião, a catequista falava não me lembro muito bem o que, sobre o MST (e hoje percebo o quanto minha catequese era de fato como manda o figurino)... Parece que a temática era relacionada a Terra, deixada por Deus para o homem tirar dela o seu sustento, e do que tinham feito dela, mercadoria. Naquele momento eu já simpatizava-me com a causa e não sabia... senti altamente ofendida quando um colega do grupo disse que detestava os sem-terra, que eram um bando de safados e tals, aqueles velhos argumentos reproduzidos... Certamente o pai dele dizia aquilo por dar credibilidade à certas mídias!


Começo por aqui para dizer que amo completamente a ilustração da Comunidade do Orkut Leu na Veja: Azar o Seu! Apesar de não concordar mais com o título, na parte do azar o SEU! E digo, o azar não é só do leitor de uma revista que apenas disperdiça papel publicando as idiotices tendenciosas que publica, mas de todos nós que vemos cada vez mais 'obra' sendo publicada neste meio infelizmente muito lido no país.


Provavelmente não é novidade pra maioria das pessoas, mais uma vez a vejinha trouxe uma reportagem deturpando o MST, e teremos de engolir mais pessoas achando que porque leu na Veja sabe tudo sobre o assunto reproduzindo as babaquices publicadas.


E agora Convido vocês para divulgar o slogan: Quem lê Veja não sabe ler.


domingo, 18 de outubro de 2009

OUVINDO ...

O mundo é uma grande fonte de inspiração para escrever... E nem sempre, escrevo. HOje, tirarei a barriga da miséria, se lembrar de tudo que pensei postar durante a semana.

Começemos por mais um episódio na Escola...
Agradeço também ao companheiro Fernando Félix, que me impulsionou a organizar-me para escrever... Na verdade, são dois episódios na escola.
Primeiro, o desastroso...
Conversavam na sala dos professores algumas colegas, eu não falo quase nada nunca... venho exercitando o ouvir. Uma contava sobre um tal Doutor (não lembro o nome) que numa palestra dizia aos ouvintes para sempre comprarem roupas menores que as que tem. Isto, ajudaria-nos no processo de emagrecimento. Comprar roupas no tamanho certo, ou mais folgadas, fariam-nos desleixar com os cuidados ao controle do peso. Neste sentido, aplaudiam o "doutor" Compre Roupas Menores... Afinal, os produtos é que controlam as pessoas! Vivamos em função de adaptarmos às coisas, e não o contrário.

Acho que pouca gente ouve o "doutor"... os manequins maiores, nunca estão nas lojas. Procuro, e só vejo os PP's P's, 36, 38, no máximo os 42...

O outro episódio é referente à sacada de um aluno de 10 anos... nada mais natural, não estivessemos numa periferia, com alunos que na grande maioria, infelizmente "pouco se lixam" com os estudos... O citado, de fato mostrou-me sobre o que alguns chamam de atenção dispersa...
Falávamos em aula sobre o Grande Evento de 2016... nunca postei sobre o assunto para não ser tão repetitivo, terei ainda sete anos pra dizer muito sobre!
Bom, fato é que quando conversávamos sobre o assunto, fizemos um quadro com aspectos positivos e negativos de sediar uma Olimpíada... nada ainda sistematizado, sondava o que meus alunos tinham de opinião a respeito do assunto. Não esperava muito, e apareceram umas três avaliações... uma delas me chamou bastante a atenção. O garoto, disse mais ou menos assim: "só tem coisa ruim desse trem ser aqui. Agente não pode participar. Não pode ir jogar porque 'nóis' é ruim, e nem assitir porque não dá conta de pagar"...

E um cara, "doutor" fica falando coisa idiota e sendo aplaudido!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

MAIS uma

Esta semana na escola ocorreu-me um fato interessante, daqueles em que vemos a disseminação e assimilação dos discursos.
Uma colega perguntou-me o que eu era. No contexto, o que eu era significava, católica, protestante, espírita... ao responder a profissão de minha fé, um outro colega, em bom som disse-nos... Eu não gosto nem de Padre, nem de Pastor. E argumentou: "Pastor, vive falando em dinheiro, e Padre, em Reforma Agrária". E continuou "não sei o que Padre tem que falar de Reforma Agrária, ser besta, quer terra compra"! Não vi da hora que emendei "E tem de falar mesmo. Deus deixou a terra para Abraão e sua posteridade, a terra é de todos"...
Mas o cara continuou seu discurso reprodutivista... Não repito, todos imaginam... Terminou com declaração de repúdio ao MST e achando-se grande pensador ao dizer " o povo que ganha terra, que ganha casa, não vai cinco anos vende"...
Bom, esse papo todo foi pra falar de uma coisa muito presente nas cidades... a especulação imobiliária e as 'políticas de moradia'...
As introduções, servem para pessoas como meu citado colega encontrem-se e talvez, a partir de então, ao menos iniciem-se na possibilidade de mudar de opinião. Iniciem, pois não aprofundar-me-ei, fiz isso num artigo científico, chega!
Bom, as políticas de moradia são excludentes... tiram o sujeito do convívio da cidade, afastando-o da vida urbana que tinha; residia mau nos barrancos, onde estava próximo de tudo, as vezes não precisava do busão pra trampar e tal. Aí, na política de habitação, é levado ao nada... São levados aos loteamentos com pouca ou nenhuma infra-estrutura, apesar de haver Leis que proibem loteamentos sem estrutura serem vendidos, eles o são. E lá, nada tem... um ônibus que passa a 2Km, sem saneamento, sem iluminação, sem segurança, sem vizinhança, sem tudo! e aos poucos, caso a luta dos moradores realize-se na concretude de melhorias, aumento nos impostos... local meia boca, revolta dos moradores, necessidades gerais, impostos mais caros...
E chegando as melhorias, poucas, que sejam, continuam-se a venda dos terrenos, e cada vez mais, um valoriza o outro... aí rola a malandragem das imobiliárias. E vende aqui, aumenta ali. Na rua que tem duas casas vendidas, vende mais e mais, e mais caro.
E os impostos, subindo.
Eis uns dos motivos que não vai cinco anos, quem ganhou casa vende! E moço, alguns conseguem acompanhar viu... pastam, mas continuam lá!